Pedido falso de autoridade: golpistas usaram e-mail de um órgão público para obter dados de clientes
O banco digital Revolut entregou documentos e dados pessoais a criminosos que escreveram de uma conta de governo verdadeira. Veja como proteger a sua empresa do mesmo golpe.

Em 12 de setembro de 2026, o banco digital britânico Revolut confirmou que entregou dados de clientes a um terceiro não autorizado. Os pedidos de informação chegaram de um endereço de e-mail hospedado no domínio legítimo de uma agência de governo e foram atendidos como se viessem de uma autoridade de verdade.
O que foi entregue
Segundo o aviso enviado aos clientes afetados, os dados incluíam nome, data de nascimento, endereços, e-mail, telefone e cópias de passaportes e carteiras de motorista. O Revolut afirmou que seus sistemas e o dinheiro dos clientes não foram afetados, bloqueou o endereço e avisou a agência, a polícia e os reguladores.
Por que o golpe funcionou
Empresas reguladas precisam atender pedidos legítimos de autoridades, muitas vezes com urgência, e o golpista aproveitou justamente essa obrigação. Como o e-mail saía de um domínio verdadeiro, as checagens técnicas comuns de autenticidade não apontavam nada de errado. O problema não era um endereço falsificado, e sim uma conta real nas mãos erradas.
O padrão não é novo. Em 2024, o FBI já alertava para criminosos usando contas de e-mail governamentais comprometidas para enviar pedidos falsos de dados, inclusive pedidos de emergência.
Um remetente legítimo não prova que o pedido é legítimo. A confirmação precisa vir por outro caminho.
Como proteger a sua empresa
- Não atenda pedidos de dados de clientes só com base no e-mail, por mais oficial que ele pareça.
- Confirme por um canal independente: o telefone oficial do órgão, o portal oficial ou um contato já conhecido, e nunca o que veio na própria mensagem.
- Exija o documento formal que fundamenta o pedido e passe pela área jurídica antes de responder.
- Registre cada pedido recebido, quem aprovou e o que foi enviado.
- Treine quem atende essas solicitações: urgência e tom de autoridade são as duas alavancas do golpe.
É o mesmo raciocínio do golpe do falso executivo, com outra fantasia: em vez do diretor pedindo um pagamento, é a suposta autoridade pedindo dados.
Fontes
TechCrunch: Revolut confirms customer data breach through fake government requests
Malwarebytes: Revolut gave customer IDs and financial data to a government impostor
CyberInsider: Revolut handed customer data to fraudsters using a government email domain


